“Modelos híbridos são fundamentais para se ter vantagem competitiva e crescimento sustentável do negócio.”

A afirmação é do consultor e especialista internacional em agilidade, Edivandro Conforto. Para ele, o desenvolvimento de projetos ágeis depende de uma série de fatores e, nem sempre, um único método ou modelo é capaz de suprir as necessidades do projeto.

Sou defensor de abordagens híbridas, que irão dar a carga de agilidade (velocidade + flexibilidade) necessária para cada projeto, de acordo com suas características e necessidades”, destaca. Na entrevista concedida com exclusividade para a nossa equipe, Conforto aponta caminhos como o modelo IVPM2 (Iterative and Visual Project Management Method), desenvolvido por ele em 2008, e a demanda existente para um novo profissional, capaz de arquitetar, experimentar e implementar soluções, o “Chief Agility Officer”.


Edivandro Conforto é pesquisador, palestrante e consultor internacional nas áreas de estratégia, inovação, agilidade organizacional e modelos híbridos. Está entre os maiores especialistas no mundo nessas áreas. Possui Pós-Doutorado pelo MIT em agilidade organizacional, e certificação executiva pela Singularity University (Vale do Silício) em tecnologias exponenciais. Ele é Keynote Speaker do XIV Congresso Brasileiro de Gestão, Projetos e Liderança (CBGPL). O evento, promovido este ano pelo Capítulo PMI São Paulo, acontecerá em Campinas (SP) de 20 a 22 de maio.

Confira a entrevista completa:

CBGPL – A comunidade está atenta aos modelos e metodologias focadas em resultados rápidos e que otimizem o tempo gasto nos projetos. Por que os modelos híbridos de gestão podem ser o caminho?

Edivandro Conforto – Uma das principais competências estratégicas que as organizações e líderes executivos buscam para seus portfólios, programas e projetos é a agilidade. Porém, não se desenvolve agilidade apenas adotando “métodos ágeis”. Esta competência requer mudanças e transformação em diversas áreas e dimensões na organização. Resulta de uma combinação de fatores organizacionais e características dos projetos. Por isso, cada vez mais, um único método ou modelo não atende às diferentes necessidades e desafios dos projetos de uma organização.

 

Eu já trabalhei com organizações que tentavam adotar o mesmo modelo para diferentes tipos de projetos, e elas enfrentavam diversos problemas. Quando se tem um mesmo tipo de projeto, até pode ser possível, porém, atualmente as organizações possuem um portfólio de projetos estratégicos bem diversificado. Um projeto de redução de custos não deve ser gerenciado como um projeto de desenvolvimento de um novo produto ou tecnologia. É uma questão de bom senso e boa gestão de projetos.

 

No entanto, hoje em muitos projetos temos diferentes condições que requerem cada vez mais a combinação de abordagens. Sou defensor de abordagens híbridas que irão dar a carga de agilidade (velocidade + flexibilidade) necessária para cada projeto, de acordo com suas características e necessidades.

 

CBGPL – Existe um modelo melhor do que o outro?

Edivandro Conforto – É preciso entender que não existe um modelo melhor que o outro. Existe aquele modelo mais adequado para cada situação, contexto de negócio e tipo de projeto. Uma organização pode ter vários modelos híbridos para poder atender as diferentes necessidades e características dos seus projetos.

 

Eu posso oferecer um exemplo de modelo que eu desenvolvi a partir de pesquisas em 2008, e que recebeu prêmios internacionais, incluindo o James R. Snyder, do Project Management Institute Educational Foundation (PMIEF). O IVPM2 (Iterative and Visual Project Management Method) foi testado em diferentes projetos e utiliza uma abordagem híbrida que combina práticas e níveis gerenciais de planejamento e controle, e é voltado para produtos físicos, não apenas software, ou projetos na indústria de T.I.

 

É um modelo pioneiro neste sentido pois combina fases e revisões em um nível mais estratégico (do inglês Phase- gates), modelo de referência para desenvolvimento de produtos com práticas da abordagem ágil de projetos. Ele foi publicado em artigos internacionais e no primeiro livro sobre gestão ágil publicado no Brasil pela Saraiva em 2011, “Gerenciamento Ágil de Projetos – aplicação em produtos inovadores”, que em breve terá uma nova edição revisada e aprimorada.

CBGPL – Se pudesse destacar uma atitude das empresas e dos gestores de projetos em outros países para ser absorvida, urgentemente, pelo mercado brasileiro, qual seria?

Edivandro Conforto – Acredito que a principal mudança que está acontecendo mais rapidamente em alguns países, especificamente em alguns setores, devido ao movimento dos mercados, tendências de consumo e tecnologia, pode ser resumida ao entendimento de que toda grande organização, que possui diferentes negócios e projetos e atua globalmente, precisa ter diferentes abordagens e competências em seus times e talentos.

 

Essas organizações estão passando por uma transformação digital que impacta principalmente a forma de trabalho, o comportamento das pessoas e times para desenvolver mais agilidade. Hoje, não basta ter conhecimento em apenas um método, framework ou abordagem, é preciso aumentar o repertório rapidamente, porém mais importante: é preciso desenvolver habilidades para “adaptar, combinar e

improvisar” sempre que necessário, e assim tentar aumentar as chances de sucesso em projetos e entregar os resultados conforme o plano estratégico.

 

Outra mudança que está evidente é o papel de transformação que algumas pessoas e times possuem em suas organizações. Cria-se a demanda para o que chamo de “Chief Agility Officer”, o executivo ou pessoa com perfil de pesquisador e especialista que será responsável por arquitetar, experimentar e implementar soluções e melhorias para desenvolver a agilidade como uma competência e transformar a forma como as pessoas e times trabalham na organização.

 

CBGPL – É possível traçar uma previsão dos caminhos da gestão de projetos em um cenário cada vez mais digital e globalizado? Como as empresas devem pensar seus projetos e qual deve ser o foco do profissional nos próximos cinco anos?

Edivandro Conforto –  É difícil prever o que vai acontecer nos próximos cinco anos com total certeza. As mudanças são exponenciais, e o que eu posso lhe afirmar é que veremos alterações significativas na forma como trabalhamos, e como a tecnologia será ubíqua neste cenário de projetos.

 

Estamos caminhando para sociedade cujo trabalho está cada vez mais orientado por projetos. Isso, por si só, já significa uma demanda cada vez maior por profissionais com esta competência, e por isso, o conhecimento em gestão de projetos e as suas principais áreas se torna essencial para toda e qualquer profissão.

 

Modelos híbridos já é uma realidade global, e podem se tornar a abordagem de referência nas organizações. As tecnologias, tais como Artificial Intelligence, Machine learning, Blockchain, etc., irão ajudar na automatização de muitas atividades de planejamento e controle que são feitas por humanos hoje. Com isso, o responsável pelo projeto dedicará muito mais tempo para as questões estratégicas do projeto, atenção aos clientes, stakeholders, produto e negócios. Parece uma mudança sutil, mas não é.

 

Os profissionais de projetos terão que conhecer sobre diferentes abordagens e tecnologias de apoio à gestão para serem os “integradores” de soluções para a execução com sucesso das iniciativas estratégicas das organizações. Vivemos em um ecossistema, que está cada vez mais virtual e ágil. Em meu keynote eu vou abordar mais sobre este futuro, em que os modelos híbridos são fundamentais para se ter vantagem competitiva e crescimento sustentável do negócio.



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