Lean Inception: como Lean Startup e Design Thinking podem trabalhar juntos?

“A transformação não é a linha de chegada, é o preparo. A questão é trazer o conhecimento para uma nova perspectiva”. A reflexão é de um dos Keynotes Speakers do XIV Congresso Brasileiro de Gestão, Projetos e Liderança, Paulo Caroli, consultor principal da Thoughtwords, que participará do Agile Day.

Ele conversou com nossa equipe e levantou conceitos e posturas indispensáveis na gestão de projetos em grandes empresas, como a aplicabilidade do conceito de Lean Inception, que mescla Lean Startup com Design Thinking no desenvolvimento do MVP.

Confira!

CBGPL – O ágil é tendência ou necessidade de mercado?

Paulo Caroli – Métodos ágeis foram uma resposta natural dos anos 90, da forma como vinha sendo desenvolvida a engenharia de software, que por sua vez incorporou parte mais tradicional de como lidar com projetos da engenharia civil. Esse movimento começou a perceber que precisava de algumas mudanças. Então o movimento ágil emergiu dessa forma, dessa necessidade. Uma mudança que eu considero que vem da segunda para terceira revolução industrial. Só que essa prática amadureceu, tanto que o Manifesto Ágil é de 2001, há 18 anos, e as práticas ficaram muito maduras e passaram a ser muito usadas. Houve tempo da teoria evoluir, de ir para a academia validar e vem atualmente na quarta revolução industrial. E nela todas as empresas precisam realmente de muita agilidade, então ágil passou a ser realmente uma necessidade de todas as empresas, não só da indústria de software.

CBGPL – Há uma corrente que aponta que as empresas e profissionais que já não se adaptaram à transformação digital já ficaram para trás. Qual sua opinião? Ainda há tempo? Quais as boas práticas que devem ser absorvidas pelas empresas no cumprimento de projetos para ganho de mercado?

Paulo Caroli – A transformação é um fato, vem acontecendo há alguns anos. Então quem já não está no caminho da transformação tem que entrar nele. A transformação não é a linha de chegada, é o preparo. Vou até usar o exemplo de uma maratona: você tem que se preparar para começar a correr maratonas. E acontece que, se a empresa ou o indivíduo não está se preparando, está prestes a correr uma maratona do lado de pessoas e empresas que já se preparam há cinco anos… Os concorrentes vão estar mais aptos à transformação. Mas ainda há tempo, mesmo que curto. Você tem que se comparar com seu mercado mais específico. Com a transformação digital os concorrentes agora vem de locais que não existiam antes. O Google, por exemplo, que agora virou manufatureira de carga. Os concorrentes surgem de novos nichos, por isso temos que ser muito ágeis para aprender rápido, mudar a direção rápido, se adaptar às mudanças e estar apto à celeridade das transformações que estão acontecendo.

CBGPL – O Lean Inception é então uma alternativa. Como surgiu o conceito?

Paulo Caroli – Eu passei oito anos no Vale do Silício e vivi muito o movimento de startups. Com esse movimento, as empresas que estavam indo bem trabalhavam com um conceito novo que é o produto mínimo necessário para validar a hipótese de negócio, ou seja, qual o mínimo necessário de esforço para gerar aprendizado para se dar o próximo passo. Como eu tinha vivido isso lá e trabalhava aqui com consultorias de grandes empresas, passei aplicar esse conceito de MVP e Lean Startup em grandes corporações. Só que a realidade das grandes corporações envolve projetos maiores. Todo mundo concorda com o sucesso das startups, veja Facebook, Amazon, Dropbox, mas qual MVP eu vou escolher para trabalhar, como começo, como alinho um grupo de pessoas? Essa minha experiência prática de alinhar um grupo de pessoas sobre um MVP é o Lean Inception.

Uma grande influência que eu tive no Vale do Silício, além dos métodos ágeis, que eu já conhecia e aplicava porque era desenvolvedor, foi o design thinking, um conceito que também se desenvolveu na última década. Tinha até um conflito entre design thinking e lean startup. Se por um lado o lean startup fala “vai para rua com o MVP e coloca o mínimo necessário na mão do usuário, porque o usuário não sabe o que ele quer” (Steve Jobs falava isso), do outro lado tem uma escola que evoluiu muito – design thinking – centrada no usuário, que busca entendê-lo o máximo possível e criar um melhor produto para aprender com ele e evoluir a partir desse aprendizado. Só que quando eu lido com o MVP, com escopo reduzido faz sentido os dois conceitos. Então o Lean Inception é uma forma de trazer o Lean Startup e o Design Thinking juntos, para alinhar o conhecimento de um grupo de pessoas sobre o MVP baseado no conhecimento que você tem do seu usuário.

CBGPL – É possível incorporar essas novas metodologias às que já estão em prática?
Paulo Caroli – Tem muita teoria, prática e conhecimento que o gestor de projetos adquiriu no último século que são muito bons. A gente não pode ignorar e achar que por causa da transformação tudo mudou e nada mais faz sentido. Faz sim. A questão é como trazer esse conhecimento para uma nova visão, uma nova perspectiva, para lidar com essa nova revolução industrial que estamos vivendo.

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